Zanzando em Punta del Este

Saí de Porto Alegre numa quarta-feira à noite. Peguei um bus pela empresa TTL, que é ótima. Eles servem janta, fazem todo o procedimento da nossa entrada na fronteira e, quando chegamos ao destino, eles vêm até o teu banco, te entregam o teu documento junto com a tua permissão de entrada, um suquinho e uma barra de cereais. Lindo! Gostei de ver que tu entra naquele ônibus e não te preocupa com mais nada. Além disso, ninguém atrapalha o teu sono e fica ligando a luz do bus na tua cara. Adorei.

Fui chegar em Punta del Este lá pelas 6h, 6h30. Às 8h, tinha marcado de encontrar o Bernardo, um argentino que conheci através do Couchsurfing, então fiquei fazendo hora no terminal. Acabei conhecendo uma idosa chamada (que eu me lembre) Zaida.  Conversamos por quase uma hora e, mesmo eu sendo resistente, quis porque quis me pagar um café e uma media luna. Zaida me contou sobre a sua vida e disse que eu tenho muitas coisas em comum com a filha dela, que temos vidas parecidas. A filha de Zaida sempre quis viajar, cair no mundo de mochila nas costas, mas nunca foi capaz de dar o primeiro passo e se acomodou. Hoje, parece que é casada e tal. Já Zaida… Me contou sobre a vez que se jogou, sem avisar ninguém, numa aventura de um dia até Punta del Este só para comprar um casaco e voltar. Danada essa dona Zaida.

Um pouco depois das 8h, encontrei Bernardo, que foi muito solícito e me mostrou a cidade em uma volta de carro e fez o favor de me deixar no hostel. Não deixamos nada certo, mas falamos em talvez ir em alguma festa à noite. Acabou não acontecendo. Deu desencontro e não vi mais ele, mas agradeci ele ter se oferecido para me apresentar a cidade. O que influenciou também o nosso desencontro foi o fato de eu estar ficando em um hostel e não sendo hospedada por ele.

Cheguei no hostel e deitei um pouco, mas não me aguentei na cama, então fui para a sala. A maioria dos hóspedes estava dormindo. Sentadinha no sofá do hostel, no início da tarde, ouvi uma guria falando com a atendente sobre como ir à Casa Pueblo. Como eu também planejava ir até lá naquele dia, me meti no assunto. Acabei conhecendo Stephi, uma alemã que estuda em Buenos Aires. Stephi já havia combinado com Raúl, um argentino sessentão, de conhecer a cidade, então fui com eles. Andamos pelo porto, tiramos fotos, comemos camarão cozido com limão, vimos uma igreja e o farol.

Puerto

Sim, cheguei em Punta no Dia dos Namorados

Muitos, mas muitos barcos

Farol dentro de uma propriedade privada. Dá pra entender?

Parroquia Nuestra Señora de la Candelaria

Stephi então foi andar de bicicleta, enquanto eu e Raúl fomos tirar fotos no Monumento del Ahogado, na Playa Brava.

La Mano

Depois, com muita insistência, Raúl me convenceu a andar até o Hotel Conrad, mas, no caminho, acabou tendo uma postura muito ridícula e absurda para a sua idade quase estragando meu dia. Quis voltar para o hostel na mesma hora. O chato é que teria que aguentar a presença dele mais um tempo já que havíamos combinado (eu, Stephi e ele) de ir à Casa Pueblo juntos. Através de Stephi, conhecemos Pablo, argentino muito gente boa que nos levou de carro até o restaurante hotel Las Cumbres. Gente, tem que ir lá. É lindo demais. Lá, tomamos chá, e o Pablo não nos deixou pagar.

Restaurante-hotel Las Cumbres

Sendo chique de havaianas

Chá das cinco

Saímos de lá para a Casa Pueblo assistir ao famoso pôr-do-sol. Foi magnífico. Classifico como passeio obrigatório com certeza. Lembro do Bernardo falando que não sabia o porquê de as pessoas acharem que todo mundo tinha que ir. É claro que, se ele tivesse ido lá alguma vez, saberia o porquê.

Além de ver aquela paisagem sensacional, ainda consegui tirar foto com o artista Carlos Páez Vilaró. Para conseguir essa proeza, eu não precisei comprar nenhuma obra dele, eu simplesmente pedi, mas o cara que estava vendendo as obras e dando o direito das pessoas de tirar foto com o artista reclamou dizendo para o Vilaró que ele havia tirado a foto comigo de graça. Mundo ganancioso esse, né? Uma fotinho só, e eu ainda pedi. Se eu tivesse comprado uma obra, eu teria o direito de tirar a foto, não precisaria pedir para o artista, não é mesmo? Pelo menos era assim que estava funcionando a coisa toda lá. Tu comprava uma obra e tinha direito de tirar uma foto com ele, mas eu sou uma pessoa mochileira e não tinha dinheiro suficiente para comprar obras de arte, então decidi pedir na maior educação.

A obra de Carlos Páez Vilaró tem bastante influência afro-uruguaia

 

Todos aproveitando suas jarras de media-media enquanto esperam ele: o pôr-do-sol
O artista

O famoso pôr-do-sol

Quando voltei para o hostel, as gurias que se encontravam dormindo quando eu cheguei, pela manhã, haviam ido embora e outras haviam chegado. Maria, Beatriz e Fernanda, as brasileiras de Vitória, Espírito Santo. Ficamos amigas e saímos juntas à noite. Fomos caminhando até as festas do Porto. Depois de entrar na Soho e na Moby Dick (que são de graça), sentamos nas mesas do Pub Moby Dick e bebemos as long necks mais caras que já vimos. Depois, decidimos entrar no Mambo Club e estava lotado. Toca vários tipos de música lá, mas é mais música latina, o que acho ótimo.

Perto das 3h da manhã, as gurias quiseram ir embora porque estavam cansadas, mas eu decidi ficar porque eu sempre quero aproveitar tudo até o final. Quando estava voltando para o hostel, a minha falta já conhecida de senso de direção nenhum resolveu aparecer. Me perdi por uns bons dez minutos. Mas a culpa foi de um uruguaio que decidiu fazer sua última tentativa da noite indo conversar comigo enquanto eu caminhava sozinha pela rua do porto. Quando finalmente cheguei no hostel e me livrei do uruguaio, entrei, troquei de roupa e deitei bonitinha na minha cama. Já passava das sete da manhã.

Em meu segundo dia, perdi o café da manhã, acordando um pouco depois do meio-dia, então não tenho como dizer como é o café da manhã do hostel, mas, pelo que eu soube, é algo simples, não tem horrores de coisas para comer. Então, perdido o café, levantei, me arrumei e fui almoçar com as gurias. Comemos hamburguer, não me lembro o nome do lugar, sei que foi na Gorlero e acho que gastei cerca de 200 pesos, incluindo o refrigerante. Saímos de lá para a Playa Mansa, mas não gostamos da vibe (digamos que estava mansa demais), então só tiramos fotos do Hotel e Cassino Conrad e fomos para a Playa Brava.

Hotel-cassino Conrad

Antes, depois de andarmos bastante, perguntamos para algumas pessoas onde havia um supermercado perto dali, até que achamos um e entramos para comprar cerveja e gelo. A ideia era beber na praia, mas tínhamos uma missão desde que chegamos em Punta. Olha o que brasileiras desesperadas por ter uma cerveja estupidamente gelada no Uruguai são capazes de fazer.

Passamos a tarde toda na praia tomando sol, comendo Lays, bebendo cerveja e conversando. À noite, fizemos cachorro-quente e deitamos um pouco antes de sair. Sinceramente, achei que ninguém ia conseguir levantar e não iríamos sair, mas levantamos. Já arrumadas, havíamos combinado de beber no hostel porque era mais barato e, depois, iríamos para o Mambo Club de novo. O combinado era beber 8 cervejas de 600ml e festa. Começamos a beber, a conversar, a ficar amigas dos guris do staff e, quando vimos, tínhamos feito eles colocarem música brasileira, estávamos super animadas e desistimos de sair porque lá estava muito divertido. Depois de horas conversando, de 12 garrafas de cerveja e mais uma de media-media, eu e Bia fomos assistir ao nascer do sol na Playa El Emir. E foi assim que eu me despedi de Punta del Este.

Brasileñas e os guris do staff (Nacho, Juancho e Felipe)

Eu e a Bia dando “bom dia” para o sol

E o sol dando “bom dia” pra gente

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