[RELATO] 8º DIA – CABO POLONIO > VALIZAS

Segunda-feira – 06 de janeiro de 2014

Acordamos perto das 11h. Demoramos um pouco para nos arrumar porque tomamos café, arrumamos nossas poucas coisas (eu levei só minha Deuter 10l com um calção, uma blusa e o pijama dentro, a outra roupa era a que eu tava no corpo – na sacola branca que cês vão ver numa das fotos, tá a térmica, a erva mate e a cuia e mais umas bolachas, umas coisas assim) e tiramos fotos em frente à casa e da casa, nos despedimos do Caio, da Mari, de uma das argentinas, do Daniel e de um uruguaio que eu esqueci o nome. Andamos até o centrinho para pegar o 4×4 (90 pesos), que demorou uma boa meia hora para chegar no terminal de Cabo.

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Nuestra casa en Cabo

14Caio e Mariana

15Tchau, Cabo! – Foto: Ellen Queiroz

Chegando lá, a bilheteria estava fechada e marcava que abriria às 12h, mas demorou mais e, depois, quando abriu, o sistema estava uma bosta. Chegou um ônibus nada a ver lá e escutamos que iria pra Valizas, então saímos da fila e entramos nele. A passagem pagamos dentro do ônibus mesmo. Custou 43 pesos.
Bom, vocês lembram que eu e as gurias só tinhamos sacado dinheiro (700 reais) uma vez até então, quando chegamos em Chuí, porque não haveria bancos, nem caixas eletrônicos na outras cidades até chegarmos em Punta del Este? Então, por essas alturas, o meu dinheiro e o da Cassy não ia ser suficiente para chegar até Punta, eu realmente nem sei o que aconteceu… ahhahah… Acho que acabou que gastamos demais em pequenas comprinhas e bebidas. Fazer o quê? A Lisy ainda tinha dinheiro porque bebe menos que nós e não comprou muitas coisas. Enfim, quando chegamos em Valizas, fomos comprar massa pra comer no almoço e na janta. À tarde, as gurias foram dormir e eu sentei lá na área comum, escrevendo e olhando o povo. Em um lado, havia um pequeno grande grupo de amigos almoçando juntos e conversando. No outro, uma família falava francês. Lindo. Lembrei que, naquele dia, fazia uma semana que estávamos no Uruguai. Tanta coisa havia acontecido e, ao mesmo tempo, nada aconteceu. Várias pessoas já haviam passado, mas apenas algumas ficaram. Tá, eu fiquei bem pensativa esse dia.. Acontece quando se fica um pouco sozinha.

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Pessoal curtindo a tarde no Lucky – Foto: Ellen Queiroz

Bem, depois que as gurias dormiram, nós lembramos que podíamos trocar dinheiro no nosso mercado El Puente. Eu e a Cassy trocamos, cada uma, 50 reais lá. Tiramos esse dinheiro dos 300 reais que levamos para emergência. Compramos pães e bolachas pra comer à noite e no outro dia pela manhã. Ficamos um tempo na sessão de curtas que tava rolando no Lucky. Tava beeem legal, vários vídeos engraçados. Ah, esqueci de contar. Nesse dia que voltamos para Valizas, o cara que me fez chorar cantando flamenco em um restaurante e no El Joselo em Cabo Polonio em fevereiro de 2013 (contei isso AQUI) estava trabalhando no Lucky, assim, do nada, e eu também tinha visto ele e o seu amigo tocador de viola em Cabo um dia antes. O litoral uruguaio é um ovo. Ah, outra coisa que aconteceu por lá nesse dia foi tipo um bloco gigantesco de candombe andando pelas ruas de Valizas. Lindo, lindo, mas as gurias quiseram voltar pro hostel pra fazer a janta e a gente poder comer de uma vez pra poder sair.
Enfim, depois de tudo isso, fomos para o centro. O bar El León estava cheio, então decidimos ficar por ali. Começou a tocar música brasileira, o que animou a gente. Me animei ainda mais quando a banda tocou Morena Tropicana, do Alceu Valença. Foi o primeiro lugar que tocou música brasileira boa, e não axé dos anos 80/90 e sertanejo universitário como tocou em todos os outros lugares da viagem.

foto El León

Bar El León, mas quando a gente foi, estava lotaaado – foto tirada desse Flickr

Bem, depois de um tempo, avistamos o Yuri e o Sadir e fomos falar com eles. Nessa hora, perdemos a Lisy pro Yuri, daí, eu e a Cassy fomos dar uma volta na festinha. Tava lotado o lugar. Recomendo muito aliás, toca reggaeton, música brasileira e reggae a noite inteira. O tempo passou, eu continuei dançando, curtindo minha última noite em Valizas, e a Cassy decidiu ir embora. Como vocês já sabem, eu, obviamente, fiquei, mas com a intenção de voltar para o camping em seguida. Fiquei sozinha na festa, não vi mais a Lisy e também não procurei por ela. Quando percebi, um uruguaio alto e bonito que eu e a Cassy já tínhamos comentado estava ao meu lado e, de repente falou comigo. Conversamos, dançamos, bebemos um copo de martini, sentamos na grama da praça em frente ao El León, e, quando a gente percebeu que iria amanhecer, ele perguntou se eu queria ver o nascer do sol na praia. ::love:: Lembro da roda de tambores perto do mar durar até depois do sol ter nascido e continuou quando a gente decidiu ir embora. E aquela foi a minha despedida de Valizas, que mostrou todas as suas cores, sua receptividade, sua simpatia e balançou meu corpo e meu coração com sua música callejera. Me apaixonei por Valizas e em Valizas.

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