A nossa rotina praieira e o mal das expectativas

Acordamos perto do meio-dia. Tomei banho, e fomos fazer o almoço. Tendo comido, lá fomos nós aproveitar o dia na praia. Optamos pela Playa de los Pescadores, em uma parte com poucas pessoas. A Playa del Rivero (logo ao lado) é a mais cheia. Bem, a Cassy ficou se dourando na areia (ela odeia tomar sol… mas também quase não vai se molhar.. hahaha), e eu e a Carol entramos no mar, o que foi ótimo. Fazia tanto tempo que eu não entrava no mar que já tinha até esquecido a sensação que dá. Depois de alguns mergulhos, sentamos, tomamos sol e, ao ver o grupo ao lado, pensamos: vamos comprar uma Patrícia.

Desejo realizado e já cansadas de ficar no sol, fomos para um bar beber mais, comer empanadas e conversar. Gosto desses momentos simples, quando mais nada precisa estar acontecendo para nos sentirmos bem e felizes. Nós, naquele lugar, com aquele mar e aquele sol, éramos suficientes. Acho que é aí que descobrimos que escolhemos as pessoas certas para viajarem com a gente.

Rotina praieira

Antes de anoitecer, começaram a fazer uma fogueira no camping. Enquanto a Cassy dormia, eu e a Carol ficamos conversando e tomando um mate até minha prima acordar. Foi bom. Ao fazermos o jantar (que, nesse dia, era um modesto miojo), socializamos um pouco com uns argentinos na cozinha, bebemos nosso vinho, trocamos várias vezes de lugar (para deixar as outras pessoas cozinharem e comerem) e sentamos, novamente, perto da fogueira. Não sei por que (não era pelo vinho), mas eu e a Carol estávamos animadas e começamos a cantar músicas velhas. Depois, fomos nos arrumar para sair. O plano era ir para o centro e, às 3h, partir para a festa no Bitácora Hostel. Não deu muito certo.

Ao chegar no centro, tínhamos fome de novo, daí paramos em um restaurante de uma das esquinas (não consigo me lembrar o nome) e comemos pizza. A festa e as ruas do centro não estavam muito cheias, havia muito mais brasileiros essa noite, e nós nos irritamos com o dj, que só colocava música brasileira (Estou no Uruguai, então quero escutar música latina.. obrigada). Encontrei algumas pessoas que tinha conhecido na noite anterior, mas eu não estava na mesma animação e nem tão sociável. Nessa coisa toda, acabamos perdendo o horário para a festa do Bitácora. Perguntamos a um garçom o horário, e eram, simplesmente, cinco horas da manhã. :O :O :O Saímos correndo de lá, mas, no caminho, um cara começou a seguir a gente. Eu xinguei ele, ele se alterou, e nós entramos em um bar para fugir dele. É, numa cidade de chão de areia, no Uruguai, isso aconteceu. Eu só pensei em mim, na noite anterior, andando por aquelas ruas sozinha, sem nenhuma preocupação. Mesmo assim, continuo não tendo medo de andar sozinha por lá.

Chegando no Bitácora, ainda estava cheio o lugar e pudemos aproveitar de forma satisfatória a nossa única hora de festa. Encontramos o João e o Thiago por lá. O hostel é muito legal, tem até piscina, e a festa era de graça, divertida e cheia de gente bonita. Voltamos para o camping com o dia claro. Dormi direto um sono profundo, sem sonhos, mas ruim. Acordei com um péssimo humor, irritada por as coisas acontecerem muito tortas para mim, no sentido de que tudo que eu esperava não acontecia (um pouco de exagero aqui), ou milhões de outras coisas se atravessavam no caminho até acontecer algo, que, provavelmente, também não era o que eu esperava.

Percebi, à medida que escrevia em meu caderninho, que o principal desafio que eu teria que enfrentar naquela viagem eram as minhas expectativas. Não tem coisa pior para arruinar a viagem de alguém do que as suas próprias expectativas, e, por mais que seja difícil, eu estava tentando lidar com isso o tempo inteiro, desde o primeiro momento, principalmente quando tu vai para um lugar que já conhece, onde viveu tantas coisas boas e conheceu tanta gente sensacional e acaba esperando que, nas outras vezes, aconteçam momentos tão bons e surjam pessoas tão sensacionais quanto. O Uruguai me faz ter sentimentos muito contraditórios porque sempre me traz algumas ótimas surpresas, muito mais do que outros lugares que já fui (e talvez seja isso que me faz sempre voltar), só que, dessa vez, eu não queria contar com elas porque isso já havia dado em decepções outras vezes. Fui tentando, então, me despreocupar, deixar fluir, não me importar, viver mais o presente sempre dando o máximo de mim para estar inteira ali. Esse é um dos meus principais defeitos afinal, não estar presente. Sempre fico esperando coisas boas acontecerem mesmo que elas já estejam acontecendo. Enfim, eu queria ser natural, deixar que tudo ocorresse da forma que tinha que ser, que eu me mostrasse aos outros do jeito que sou, sem me reprimir. Estou aprendendo muito sobre mim, me enxergando com mais nitidez. Finalmente.

Carol, Cassy, Ualid, João, Thiago e yo

De mau humor, arrumei minhas coisas. Hora de dar tchau a Punta del Diablo. Sim, os planos haviam mudado. Estávamos indo para Valizas fazer a caminhada com os guris até Cabo Polonio. Esperamos por um bom tempo os guris terminarem de arrumar suas coisas para irmos caminhando com todas as nossas tralhas até o ponto da van, perto do centro de Punta. Foi um pouco ruim, mas, pelo menos, a van não demorou a passar e conseguimos chegar no terminal a tempo de pegar o ônibus certo, mas é óbvio que, em se tratando de Rutas del Sol, nem tudo dá tão certo assim.

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