A travessia

Chegamos no terminal de Punta del Diablo crentes que, por um milagre, conseguiríamos comprar a passagem para Valizas (95 pesos) no horário certo, é nesse momento que a mulher da Rutas del Sol diz as tristes palavras: Ese bus no va pasar. Quê??! Tá de brinks? Nãaao, ela não estava. Teríamos que esperar 3h até o ônibus das 18h. Lembro a todos que não tem quase nada em torno do terminal, mas tem um mercadinho ali perto, onde compramos hamburguesas muito boas e 3 latinhas de cerveja. O que restou foi sentar (ou deitar, no meu caso) e ficar por lá matando tempo.

Acabou que foi legal. Conversei com as gurias e conversei bastante com o João sobre filmes e livros. Gosto quando consigo conversar de verdade com alguém. Essa foi a segunda vez na viagem. A outra havia sido com o Thiago na cozinha do camping no primeiro dia, quando me contou um pouco sobre ele e eu, um pouco sobre mim. Gosto desses pequenos momentos porque, uma vez, achei que estava me tornando o Bukowski, desprezando cada vez mais as pessoas (provavelmente por decepções e falta de conversas como essas), mas a verdade é que gosto de pessoas. Nem sempre as minhas experiências com elas são boas, às vezes nem satisfatórias, mas conhecer alguém, se encantar, conversar de verdade, se deixar estar confortável vale mais que todas as más experiências.

Ao chegarmos em Valizas, eu e as gurias deixamos nossas mochilas grandes no terminal (20 pesos). Fiquei sabendo que também rola de tomar banho lá (é bom conferir), e olha que o terminal é super pequeno. Dali, seguimos com os guris para a praia, rumo ao barco (30 pesos) para atravessar o rio e começarmos o caminho para Cabo.

Para quem ainda não percebeu, siiim, iríamos fazer parte do caminho até anoitecer. Essa travessia tem 9km e é, geralmente, feita pela manhã. Na verdade, me surpreendi com a quantidade de gente que também estava indo no fim de tarde. Topamos essa experiência porque queríamos passar a noite no meio do caminho, acampar na praia e, de quebra, economizar em uma diária.

Tchau, barquinho!

Sobre essa parte da caminhada, pelas dunas, digo que foi bem difícil para mim, muita subida, dunas imensas, areia muito fofa, achei que minhas pernas não iam aguentar. Como seria bom não ser sedentária. 🙂 Em compensação, o pôr do sol de cima das dunas foi um dos mais lindos que já vi. Só isso já valeu totalmente.

Parece que eu tô posando ali atrás, mas, na verdade, eu só não aguentei ficar de pé.

Vale ou não vale a pena?

Continuamos caminhando por mais dunas, mais areia e uns matos sem saber exatamente o caminho, é só seguir sempre até chegar perto da praia. A gente demorou um pouco para chegar (pensando na primeira vez, eu não lembrava de ter sido tão demorada essa parte), o dia foi terminando, a noite foi chegando, foi chegando, mas a gente caminhou até vermos que o mar estava alguns metros à frente. Ainda podíamos enxergar porque, naquela noite, havia uma lua lindíssima que iluminava muito. Encontramos um lugar para dormir, eu e as gurias montamos a barraca com ajuda dos guris, e eles decidiram que iriam dormir em cima da lona só com os sacos de dormir. Estava ventando muitíssimo. Ficamos conversando, comendo batatinhas e palitinhos e bebendo vinho por um bom tempo. (OBS.: Não tenho fotos dessa parte porque o Thiago não me mandou ainda… Peçam pra ele por mim. :P) Depois, cada um dos guris foi deitar no seu saco de dormir, deitamos com eles e começamos a contar estrelas cadentes. Pouco tempo depois, todo mundo foi ficando em silêncio. De certa forma, eu estava feliz. Antes de decidir levantar e ir para a barraca dormir, olhei um pouco mais para as estrelas (é um céu realmente inesquecível) e agradeci a oportunidade de estar lá.

Acordei várias vezes de madrugada, mas, cada vez que olhava aquele céu, era impossível ficar irritada, e, então, voltava a dormir, feliz. Pela manhã, acordamos com o barulho dos guris se arrumando. Nos arrumamos também e, prontas primeiro que eles, os esperamos sair para irmos ao “banheiro”. Fomos alcançar eles bastante tempo depois da caminhada.

Nesse dia, o caminho é apenas pela praia, e é longo, longuíssimo, e a areia um tanto fofa só atrapalha. Eu preferia caminhar pela beira do mar, onde a areia às vezes ficava um pouco mais firme (facilitando os passos) e a água refrescava e aliviava a dor nos pés. A maior parte da caminhada fizemos em silêncio, só mais depois, antes de alcançarmos os guris, é que a areia ficou melhor e começamos a conversar mais e até cantamos um pouco. Depois de encontrar os guris, conversamos também. Teve uma hora que ficamos só eu e eles, as gurias pararam um pouco, mas eu não percebi. Conversávamos sobre filmes e livros novamente. Em outra hora, estávamos andando praticamente lado a lado, conversando, até que o João e o Ualid pararam por alguma coisa e, em seguida, a Cassy e a Carol também. Só eu e o Thiago continuamos por um tempo. Falamos bem poucos segundos, seguindo o assunto de antes, e, depois, só silêncio novamente, para, em seguida, pararmos, esperando os outros nos alcançarem. Depois, caminhamos mais e mais e, finalmente, chegamos em Cabo. Os guris foram procurar um lugar pra tomar banho e largar as mochilas, e nós fomos direto para o Cosas Ricas (se me lembro bem o nome – fica bem no centro, mas a placa é pequena), comer pizza e tomar cerveja. Era tudo que a gente mais queria e estava ótimo!

  Dali, fomos para perto do farol olhar os lobos marinhos.

De lá, enxergamos os guris. Não ficamos muito tempo porque começou a chover. Logo, andamos com eles para o centro e nos despedimos. Era o fim da nossa parceria viajera. De certa forma, sabíamos que já era hora de sermos apenas nós três novamente. Aposto que eles também.

2 comentários sobre “A travessia

  1. Julia Rocha

    Olá querida, vou fazer esse mesmo percurso de Valizas até cabo com meu namorado em dezembro desse ano.
    Seu post é incrivel e seu blog ta ajudando muito a gente a se prevenir. Obrigada por isso.

    Qual hostel/camping/estadia ficaram em cabo polonio?
    quantos dinheiros gastaram? hahah

    1. ellentsqueiroz Autor da Postagem

      Olá, Julia!!!

      Que demais que vão fazer esse percurso, é lindo e vale muito a pena.
      Já fiquei hospedada em Cabo duas vezes. A primeira vez, fiquei no Viejo Lobo Hostel, que fica muito bem localizado, no centro de Cabo. Na segunda vez, fiquei hospedada no Rancho La Rueda, que, na época, era um dos lugares mais baratos, mas fica distante do centro e, como, à noite, a cidade não tem luz, fica difícil de se achar. Se tiverem uma lanterna potente, vale a pena. Aqui no blog, na aba Planejamento > Hospedagens, tem os links da minha opinião sobre todos os hostels que já fiquei e fotos. Dá uma olhada lá que fica mais fácil de tomar uma decisão.
      Não lembro quanto gastei, mas não foi muito não. Valizas e Cabo são praias e não tem muito o que fazer a não ser curtir e tomar umas cevas. 😛 No geral, Cabo é mais cara que Valizas.

      Que bom que o blog está ajudando! Volta depois para contar da experiência!!
      Abraçoo!!

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