Sobre quando La Pedrera nos empobreceu

Ao chegarmos em La Pedrera (79 pesos), no momento que colocamos o pé para fora do ônibus, antes mesmo de pegarmos nossas mochilas, caiu a maior água, e nós (e outros viajantes) tivemos que esperar um tempo no centro de informações. Quando a chuva diminuiu (o que não significa que não estava forte), andamos até o camping La Pedrera. No caminho, eu e a Carol desistimos de andar de chinelo porque começamos a escorregar e andamos de pés descalços na lama (dizem que é bom pra pele).

No camping, não tinha ninguém para nos atender na entrada por onde chegamos. Sentamos à uma mesa coberta e, vendo a situação deplorável do camping, com tudo alagado, gente saindo das suas barracas porque já estavam flutuando, decidimos que não iríamos ficar lá. A Cassy saiu, então, em busca do Compay Hostel para saber a diária e se tinha vaga. Eu e Carol ficamos esperando, esperando, esperando, e a chuva aumentou horrores e de qualquer lado vinha água e mais água. O que dá para tirar disso é que La Pedrera sabe como recepcionar as pessoas.

Quando a Cassy, finalmente, voltou, decidimos ir mesmo para o Compay. Passar o ano novo no alagamento não estava nos nossos planos. Agora, imaginem o preço do hostel em plena véspera de final de ano… Não foi nada indolor no bolso de quem, até então, estava acampando. Mesmo assim, ficamos lá e, com o hostel lotado e animadíssimo, acabamos cada uma em um quarto, o que foi bem ruim visto que o hostel é enorme e, digo novamente, estava cheio, aumentando ainda mais nosso sentimento de deslocamento. No quarto que fiquei, havia sete amigas argentinas que, fora algumas palavras, mal falaram comigo. Foi um pouco como se eu estivesse invadindo um espaço só delas, mas, enfim, imprevisibilidades estão aí para nos fazer viver algo de devemos viver e, como vocês viram nos outros posts, eu estava tentando lidar com minhas expectativas aceitando os imprevistos.

As gurias compraram nossas passagens para Chuy. Mais tarde, eu fui ao mercado comprar vinhos e, quando voltei, cozinhamos porque não tínhamos dinheiro para participar do churrasco de fim de ano do hostel. Em seguida, nos arrumamos para a festa do hostel e para a noite de La Pedrera. Ficamos prontas um pouco antes da meia-noite. Todos nos reunimos no pátio e fizemos contagem regressiva e estava muito legal.

Conversamos um bom tempo com três chilenos de Santiago e, ao contrário de alguns que conhecemos em nossa viagem ao Chile, eles eram bem legais. Perto das 2h, fomos para o centro e logo encontramos uma festa de graça no La Negra e estava bastante cheia. Curtimos demais, dançamos e bebemos. Foi um bom início de ano, pena que eu ainda me deixo levar por maus sentimentos.

No dia seguinte, o tempo estava melhor, então nos arrumamos e saímos do hostel, novamente, rumo ao Camping La Pedrera. Quando chegamos, a recepção era em outro lugar, daí eu e a Cassy fomos ver se tinha cozinha e chuveiros. Não tinha cozinha (e nós não tínhamos equipamentos, mas tínhamos comida para cozinhar), então fomos no outro camping, mas desistimos de ficar lá porque era meio longe do centro. Passamos no hostel Côvadonga para ver a diária, mas estava caro e ficaríamos em quartos separados novamente. Daí, decidimos voltar e ver a diária do Point. Estava caro também, mas mais perto e tinha vaga para nós três no mesmo quarto. Voltamos para buscar a Carol e nossas coisas e fomos para lá. Com o pagamento da diária, ficamos muito pobres e, juntando todo o nosso dinheiro, eu tive que gastar até os reais que eu tinha para comprar a passagem de volta de Chuí para Porto Alegre. A partir disso, tivemos que entrar em contato com a minha mãe para depositar dinheiro para eu voltar. Siiim, chegamos a esse ponto.

Chegando lá, fizemos o almoço, deitamos e acabamos dormindo mais do que o planejado. Quando levantamos, saímos para conhecer a cidade e a praia. O tempo não tava muito bom, mas deu para sair depois de chuviscar.

Ao voltarmos, comemos o resto de massa de café da tarde, tomamos banho e, depois, por umas 23h, fomos fazer jantar e beber vinho (sim, tinha dinheiro para o vinho, que era o mais chinelo possível). Depois de comer, fomos para o La Negra, mas tinha que pagar e, como vocês já sabem, nós não tínhamos dinheiro. Voltamos para o hostel e bebemos mais vinho. Ao retornarmos ao centro, sentamos um pouco na rua e, nesse tempo, conversamos com várias pessoas que paravam para falar com a gente. Acabamos descobrindo que a festa no Dale Palo era de graça e entramos. Ficamos um tempo lá, mas estava cheio demais e não deu para aproveitar muito. Perto de amanhecer, voltamos para casa. No dia seguinte, seguiríamos caminhos diferentes, o que foi um enorme erro meu, mas penso que acabou sendo o que eu precisava.

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