Pela América Latina

Para quem não sabe: nós vamos viajar pela América Latina por um booom tempo.\o/

Isso não veio do nada em uma mesa de bar ou, simplesmente, acordamos e decidimos, apesar de que tinha muitas chances de ter sido assim. A coisa foi se desenhando. E aqui estamos para explicar o que aconteceu.

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ELLEN

Eu não sei exatamente quando surgiu essa vontade louca de conhecer o mundo, ou quando o que eu vivia passou a não ser suficiente, só sei que foi um processo, que, mesmo durando anos, foi rápido. Não sei como foi a tomada de consciência de que a vida podia ser mais do que nos dizem que ela é e de que podemos mais e melhor do que dizem (e insistem em mostrar) que somos capazes. Eu tinha tudo para seguir o caminho que muitos chamam de “comum”, aquele que nós vamos sendo preparados para trilhar (e talvez até trilhemos um dia): escola, faculdade (talvez um mestrado ou até doutorado), emprego, primeiro apartamento, casamento, filhos, aposentadoria, viver a vida. Sei lá, não sei porque precisamente tomei um desvio e não sei de mais um monte de coisas, mas sei que todos que inventaram que VIVER A VIDA deveria ser a última coisa que devemos fazer sabiam muito menos que eu. Fui abrindo tanto os olhos que não era mais possível voltar atrás. O momento decisivo foi quando fiz minha primeira viagem sozinha.

-Como assim você não sabe o que quer da vida?_o francês me perguntou em uma noite quente de Cabo Polônio.

-Por que eu deveria saber, se tem gente que com 40 não sabe?

Aquilo me fez refletir e perceber que, mesmo não sabendo o que faria da minha vida profissional (e ainda não sei), na pessoal, o que eu queria (e ainda quero) era ser viajante e conhecer o máximo de lugares e pessoas possíveis. Eu tive a certeza que queria sentir aquele frio na barriga pelo desconhecido e aquela liberdade de novo e de novo, que queria me sentir capaz e suficiente daquele jeito, não para os outros, mas para mim mesma. Viajar seria minha prioridade na vida. Lembro de voltar daquela viagem muito feliz, mas também me lembro como a rotina e a sociedade do jeito que ela é estruturada foi acabando com tudo que eu construí naqueles 18 dias, toda a confiança em mim mesma. O sistema está aí para dizer que você não é capaz, e as pessoas acreditam nisso. Eu já acreditei várias vezes… até perceber que quem comandava, muitas vezes, era incompetente e/ou se aproveitava do esforço dos subordinados, ganhando às suas custas, às custas dos seus medos. Eu não queria participar mais disso. O jeito que encontrei foi, enquanto eu viver e não importa o quão difícil se torne, não trabalhar por uma empresa, não me importar com ela a ponto de dá-la trinta anos da minha vida se em algum momento eu não me sentir mais feliz de estar lá, a ponto de deixar ela tirar a minha saúde, roubar os meus pensamentos quando estou fora dela. O jeito que encontrei foi decidir trabalhar por mim, pelo que eu posso aprender, pelas pessoas que posso conhecer e ajudar. O jeito que encontrei foi descobrir e lembrar sempre o motivo maior de eu estar lá: a próxima viagem.

Depois dessas mudanças de pensamento e daquele mochilão por Uruguai, Argentina e Chile, percebi que precisava mudar também meu jeito de viajar. Aquela maneira já não me era profunda suficiente. Eu sentia que estava apenas passando pelos lugares sem conhecer a sua essência da forma devida. Eu sentia que tinha que entrar em contato mais direto com os nativos, com a realidade local, com a cultura e gastronomia de rua, sair da zona de conforto dos ônibus com destino certo, do roteiro planejado, da cama quente me esperando em um hostel (por mais que eu ame hostels), da viagem feita para entrar no orçamento. Decidi que precisava fazer o que muitos já estavam fazendo: sair por aí com mochila e barraca em mãos, de carona, pouco dinheiro, trabalhando (de forma social ou não) em troca de comida e alojamento e dizendo mais ‘sim’ às oportunidades que a estrada for apresentando. Decidi que tinha que ir ver, por mim e por quem serei, e que tinha que começar por aqui, pela nossa América Latina.

Em cerca de duas semanas, essa jornada vai iniciar. E não será sozinha como imaginei desde o início. Alguém decidiu, de última hora, também pegar um desvio. 🙂

 

CASSIANY

A necessidade de viajar começou a crescer após a minha primeira viagem. Foi uma experiência inesquecível! Sentir a liberdade de cada momento, conhecer culturas e pessoas diferentes, foram essas vivências maravilhosas que me fizeram enxergar que não era uma simples viagem a passeio, mas sim, uma experiência de vida e de autoconhecimento. Então, já não bastava ficar na rotina do dia a dia, eu tinha que sair mundo afora para conhecer cada vez mais. Minha visão de viagem foi amadurecendo ao decorrer dos mochilões que fiz com as minhas primas e amiga. Muitas experiências envolvidas! Não queria mais parar hahaha! Só que o caminho que estava seguindo não tinha espaço para uma viagem tão grande como esta.

Então, como eu vim parar aqui?!

Bom… Caí praticamente de paraquedas nesta viagem! Quando a minha prima Ellen comentou que estava planejando fazer um mochilão pela América Latina para este ano, tive uma grande vontade de ir com ela, mas já tinha planos em mente. Esses planos seriam estudar para as provas da residência na área pediátrica (que é uma especialização clínica), que ocorreriam no final do ano de 2015. Nada deu certo hahaha… Já não sabia o que fazer no ano seguinte, talvez continuar estudando ou sei lá… Realmente, não tinha mais a mesma certeza do que eu queria. Isso me deixou um pouco perdida. Então, comecei a pensar na possibilidade de ir com a Ellen. Não lembro muito bem quando, definitivamente, decidi que iria, só lembro que a minha prima gostou da ideia.

Confesso que depois de ter confirmado, bateu um pouco de medo, pois ainda não tinha pensado em fazer uma viagem tão grande como esta e, muito menos, com pouco dinheiro. No início, achei complicado fazer uma viagem com pouquíssima grana, mas comecei a ficar um pouco mais tranquila depois de ver relatos de viajantes que mostraram que é possível viajar sem grana. Agora, é seguir o caminho e vivenciar esta nova aventura!

 

NÓS

Não temos nem ideia de como vai ser, de como realizar essa viagem, de que caminhos exatamente seguiremos, mas era isso que a gente queria, não é mesmo? Algumas pessoas já perguntaram o que vamos fazer quando voltarmos. Respondemos: Não sabemos nem da ida, que dirá da volta. E rimos. A ansiedade já começa a tomar conta. Não vamos mentir para vocês e dizer que  não temos medo (ainda mais por sermos mulheres), que sabemos muito bem o que estamos fazendo, que vai ser fácil sem muita grana, sem saber onde vamos dormir. Cara, dá um nervoso do caramba, mas se tem duas coisas que quem quer fazer uma viagem dessas tem que ter em mente são que não vai ser fácil e que, mesmo assim, é possível. Não seremos nem as primeiras, nem as últimas. Os outros estão aí para nos provar que é foda, que nem tudo é a maravilha que parece, mas que dá e vai valer a pena demaaais.

 

Quem estiver se planejando para ir, quem tiver dicas para nos dar, perguntas/propostas a nos fazer, entre em contato, vamos conversar!

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4 comentários sobre “Pela América Latina

  1. Telma Matias

    Oi ! tive desaparecida mas vejo que já começas-te a tua viagem e isso anima-me, eu ainda estou a desenhar ou talvez a sonhar a minha e a trabalhar muito.

    Sucesso e boas viagens 😀

  2. Mariana

    Oi Ellen, que massa essa viagem! Tenho lido os seus relatos das outras e acho que você esta no caminho certo. Com certeza vai aproveitar muito!! Desejo tudo de melhor pra vocês duas!
    Como eu dise, tenho lido muitos os seus relatos e está me ajudando muito no planejamento da minha viagem (muito mesmo!). Vou com meu namorado no reveillon para o Uruguai. Vamos sair de Porto Alegre e fazer Punta Del Diablo – Calo Polônio – Punta Del Este – Montevidéu – Colonia del Sacramento – Buenos Aires, aí depois volta. Também vou entrar pelo Chuí igual você fez. E também vamos acampar no início, e aí que queria sua ajuda. Eu vi que vocês não reservou no camping de Punta del Diablo. Foi tranquilo achar vaga? Em Cabo Polônio é tranquilo de acampar também? Eu não achei nenhum camping por lá. E sobre equipamentos, pode falar um pouco do que você levava?
    Desculpa as milhões de perguntas, mas to super ansiosa porque vai ser o minha primeira vez no Uruguai e eu primeiro mochilão!
    Obrigada ;*

    1. ellentsqueiroz Autor da Postagem

      Oi, Mariana!! Tudo bem??

      Cara, que ótimo que tá curtindo os relatos e que estão te ajudando. Essa era e sempre vai ser a ideia. E que demais que estão indo para o Uruguai. Tu já deve saber que adoooro o paisito querido. ahahah..
      Então, sim, chegamos sem reserva e foi beeem tranquilo, tinha vaga e era mil vezes mais barato que hostel. A maioria da galera vai para hostel porque rola ceia, rola um pouco de festinha, mas, no final, todo mundo acaba nas festas do centro, que são de graça. Em Cabo Polonio, não tem camping e é proibido acampar porque é uma reserva nacional. Óbvio que sempre tem gente que burla a regra né, vai de cada um. Como vai ser verão, o que podem fazer é acampar nas dunas no meio do caminho entre Valizas e Cabo, um pouco antes de chegar no mar, ou pagar um hostel, os preços são bem salgados pra época.
      Sobre equipamentos: a gente só levava barraca, saco de dormir e isolante térmico, sempre escolhendo campings que tinham cozinha. Na viagem que estou fazendo agora, também trouxemos panelas (1 tipo leiteira, 1 pequena e 1 frigideira pequena), talheres, copos e pratos de plástico, fogareiro a alcool e é isso. Que eu me lembre, comprei o kit cozinha e o fogareiro da Nautika, pela internet mesmo (Mercado Livre), fui pesquisando os melhores preços.

      Bom, se tiver mais perguntas, pode perguntar mesmo!! Estamos aqui pra isso! Sem contar, que eu adoooro responder todo mundo. 😉
      Nos falamos, ótimo planejamento pra vocês e depois vem me contar como foi. ahhaha..

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