Os altos e bem baixos de Minas

Depois que descemos do ônibus que ia para San Carlos, às 12h20, começamos a pedir carona para a entrada da Ruta 12, estrada que segue até Minas, nossa próxima cidade. Conseguimos que alguém nos levasse depois de 40 minutos de espera. Ao colocarmos nossas coisas na 12 para começar a fazer sinal de carona, o Gustavo parou sem nem ao menos estarmos preparadas e, para a nossa sorte, ia direto para nosso destino e nos deixou na rua da casa de Gonzalo, Magel e a inteligente filha deles, Bruna, que nos hospedaram através do Couchsurfing. Aí, ficamos 3 das cinco noites que havíamos planejado.

1Gustavo

Nesse primeiro dia, depois das muitas instruções do Gonzalo sobre o que conhecer na cidade e ao redor dela, saímos felizes da vida para sacar dinheiro. Na volta, compramos nosso “almoço” e, ao chegar novamente na casa, conhecemos a Magel e a Bruna, com quem ficamos brincando muito tempo. Depois, nos convidaram para jantar. Aceitamos, comemos e continuamos a brincar com a Bruna. Nessa noite, já percebemos que o casal não socializava muito com a gente, apenas para mostrar algumas músicas, e, algumas vezes, cochichavam entre eles, o que nos deixou um pouco desconfortáveis.

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Plaza Libertad

No dia seguinte, levantamos mais tarde, almoçamos e saímos para conhecer mais da cidade. No pouco tempo que tínhamos antes de pegar o ônibus para o Parque de Vacaciones da empresa UTE, passamos pelos pontos turísticos abaixo:

 9Teatro Lavalleja 12

Plaza Rivera 15Parque Fabini

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Casa de la Cultura – Casa Lavalleja

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No Parque, lugar de férias dos funcionários da empresa UTE, companhia de luz do país, conhecemos o mirador e caminhamos pela natureza, sem pagar nada para entrar. O lugar fica fora da cidade, tem um ônibus direto para lá desde a rodoviária e é bem barato. Para se informar melhor sobre horários e tarifa, passe no centro de informações que há no próprio terminal de ônibus. A passagem não se compra com antecedência, se paga diretamente ao motorista.

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Às 20h, voltamos para Minas e, enquanto esperávamos a água ficar quente para tomar banho, Magel estava colocando a mesa e nos perguntou se tínhamos jantado. Falamos que não, mas não tínhamos a intenção de comer com eles. De qualquer forma, ela colocou pratos para a gente, e percebemos que estava bastante contrariada. Com essa situação, não soubemos como reagir para recusar a comida. Depois de tomarmos banho, também tivemos outro atrito com a Magel, pois nem o casal havia nos falado como funcionava a questão de limpar o banheiro depois (não havia cortina na banheira e não falaram do rodo), nem a gente perguntou para eles o que deveríamos fazer. Nessa noite, fomos dormir muito tristes, sem saber o que fazer.

Na manhã seguinte, levantamos cedo e deixamos um bilhete ao casal falando de como estávamos nos sentindo, que sabíamos que havíamos errado em aceitar a comida deles na noite anterior, e que faríamos o jantar quando chegássemos. Saímos e fomos em direção à rua onde pedimos carona para o Cerro Arequita. Desistimos e, depois de uns 15 minutos caminhando, voltamos a pedir e conseguimos que um casal parasse e nos deixasse na entrada do caminho para o cerro. Quando chegamos ao cerro, estava fechado, parece que abre só nos fins de semana. Daí, seguimos para o caminho das grutas, que também estavam fechadas. E, por último, fomos para Laguna de los Cuervos, que ficava há 3,5 km, os quais sofremos muito para percorrer, mas valeu a pena.

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Vale ressaltar que o Complexo Arequita conta com camping selvagem dentro da área do cerro, um camping municipal mais à frente na estrada que é de graça e o camping abaixo, onde fica a Laguna de los Cuervos, daí, além da entrada para ver a laguna ($30), também se paga um pouco mais pela estadia.7

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Na volta, caminhamos mais tranqüilas e chegamos mais rápido na estrada, onde pedimos carona para voltar à cidade. Delci, com seu filho pequeno, foi a primeira mulher a nos dar carona na viagem. Nos levou até o centro de Minas, onde decidimos ir para um bar para não chegar tão cedo em “casa”. A verdade é que não queríamos voltar, mas, depois de duas cervejas, a gente tinha que ir. Passamos no supermercado, compramos todas as coisas para fazer o jantar e fomos. Ao chegar, parecia que nada tinha acontecido, nos receberam muito bem e começamos a cozinhar felizes. Poucos minutos depois, quando o sinal de wifi funcionou no celular, recebemos a mensagem que Magel havia nos enviado antes de chegarmos em casa, dizendo que todos nós tivemos uma falta de comunicação, que aceitavam nosso jantar, mas que deveríamos ir embora na manhã seguinte. Fingimos que não tínhamos lido isso, continuamos a cozinhar, comemos todos em paz, brincamos mais com a filha do casal e, antes de dormirmos, procuramos alternativas do que fazer na manhã seguinte, pois não tínhamos para onde ir, nem muito dinheiro.

Às 8h, terminamos de arrumar nossas coisas, deixamos um bilhete de despedida e saímos atrás dos dois hostels que havíamos visto pela internet. O primeiro, encontramos o endereço, mas não tinha nada escrito na frente. O segundo, demos de cara com a dona, chamada Marta, e acabamos ficando lá (Martita Hostel). Contamos toda a história e, sabendo disso e que trabalhamos no hostel de La Paloma, ela nos deu um desconto na diária, mas, de qualquer forma, quase 50 reais para cada uma era muito para quem não podia gastar mais. Ficamos bem chateadas com tudo que aconteceu, mas mais porque não se importaram se tínhamos lugar e dinheiro para ir para outro lugar. Mesmo assim, também era um alívio estarmos sozinhas novamente e, desistindo de ir para Villa Serrana, tiramos esse dia para curtirmos juntas a cidade, andar de bicicleta, cozinhar e fazermos tudo que estivéssemos afim. Estávamos felizes e leves. À noite, nos arrumamos, tomamos vinho, fomos a um bar e uma festa, onde terminamos discutindo e voltando sem se falar para casa. Lembrando de todos os momentos de tensão que já tivemos nesses dois meses de viagem, percebemos que, sempre que passávamos por situações de estresse, isso acabava afetando o nosso humor e a nossa convivência, fazendo-nos descarregar nossas frustrações uma na outra.

Na manhã seguinte, a primeira coisa que fizemos foi pedir desculpas, e foi como se nada tivesse acontecido. Além disso, acordamos com muita ressaca e prometemos que nunca mais sairíamos um dia antes de pedir carona. De qualquer forma, estava chovendo, era domingo e decidimos ir até a rodoviária ver o preço da passagem para Piriápolis. Para pagar, trocamos uns pesos argentinos que tínhamos de outras viagens, e ficamos esperando no terminal até o horário do ônibus. Mal sabíamos que esse dia ia ser muuito longo.

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